quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Buenos Aires em algumas refeições


Buenos Aires é uma daquelas cidades que parece ter alma. Talvez seja o reflexo de Jorge Luís Borges ou de Soda Stereo, que eternizaram as ruas da cidade em suas obras.

A dica para os viajantes a Buenos Aires que passam também por este blog é, claro, aventurar-se por nuevos senderos de sabor.

1810 Cocina Regional tem três endereços na cidade, mas recomendamos o do Centro (Marcelo T. de Alvear 868). As empanadas boas como sempre. Prove as tradicionais tucumanas (carne picada à faca e temperos) e não deixe de ousar com as jamón del norte (recheio de mistura de ricota e presunto, e massa banhada de açúcar queimado). O homem do caixa não é muito simpático, mas se o interesse é a empanada, quem se importa?

El Establo (Paraguay 489) possui cara de imponente pela decoração tradicional de cantina, daquelas que raramente ainda vemos no Brasil. Tem temas asturianos, fotos de Fernando Alonso e mesas sempre cheias. Abrimos a noite com berinjelas quase inteiras em antipasto, no ponto do ácido e com muita carne e sabor. Para radicalizar um pouco mais, pedimos callos a madrileña (foto), ou seja, um tipo de dobradinha muito popular no inverno madrilenho. Não é um prato leve nem bonito, pois leva entranhas, grão de bico, chorizo. Mas é saboroso e meia porção satisfaz duas pessoas.
Para a sobremesa, um flan com dulce de leche, um must  esperado um ano para provar novamente. Isso tudo e uma água com gás, por menos cem pesos (menos de R$ 50), não encontramos no Brasil.

Tancat (Paraguay 645) é um restaurante catalão aconchegante e bastante procurado na noite de Buenos Aires. Pequenas lulas e polvos no azeite e um risoto de frutos do mar e Portobello realmente fizeram a sua parte com muito sabor e cor naquela ocasião; já na segunda visita, arroz de açafrão com “alguns frutos do mar” (assim mesmo dizia o cardápio). Pedimos com muitos, não só alguns. E não decepciona, pois estava bastante rico em berbechos, mejillones e camarones. Para fechar bem a visita, as duas vezes pedimos e aprovamos a crema catalana (foto) leve e com a casquinha de açúcar fininha e durinha. Em média 100 pesos (= R$85, aproximadamente) por pessoa sem vinho.

Um almoço executivo com menu acessível é encontrado no La Catedra (Cerviño e Sinclair 1425), com a decoração voltada aos cavalos e temas clássicos bonarenses. O menu do almoço por 55 pesos mais 10% de serviço (foto): mini bife de chorizo — que não era mini para nenhum padrão brasileiro nem pela largura, nem pela altura — com vinagrete, salada de tomate e alface ou fritas; uma bebida, seja refrigerante ou água; sobremesa ou café. Maçãs em calda são a sugestão para fechar a refeição de maneira simples e saborosa. O lugar é frequentado por homens de negócios, famílias e casais da região.


Sempre bom é sorvete na cidade. O tradicional Freddo (vários endereços) e Persicco (idem, idem) primam pela variedade de sabores com dulce de leche. O granizado vem com pedaços de chocolate, o Vauquita tem lascas de doce de leite em barra. Prove os de fruta também: limão, morango ou cassis no Freddo; pêssego com laranja do Persicco. Não falham sozinhos nem com doce de leite. As casquinhas, por menores que sejam, carregam sempre muito sorvete. Por isso, nada de olhos maiores que a boca.

Buenos Aires deve ser descoberta por qualquer um com vontade de alguma coisa nova, ou apreciada por aqueles que já conhecem algumas esquinas. Tenha seu choripán favorito, saiba onde está a sorveteria mais próxima, descubra uma boa parrilla e divida aqui suas experiências.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Feira Gastronômica "O Mercado", em Pinheiros




"O Mercado", prestigiado evento gastronômico que oferece pratos de renomados chefs brasileiros a preços populares, chega a sua última edição de 2012, e desta vez acontecerá no Mercado Municipal de Pinheiros.

Os visitantes poderão provar pratos de renomados chefs paulistanos, como Checho Gonzáles e Henrique Fogaça (Sal Gastronomia) que também são os idealizadores do projeto.

Além deles, Bel Coelho (Dui), Benny Novak (210 Diner, Ici Bistrô e Tappo Trattoria), Janaína Rueda (Bar da Dona Onça), Daniel Redondo (Maní), Geovane Carneiro e Luciano Nardelli do D.O.M. oferecem pratos bacanas por um preço camarada, vale a pena conferir!

Serviço

O quê? Feira Gastronômica "O Mercado"
Onde? Rua Pedro Cristi, parte superior do Mercado Municipal de Pinheiros, São Paulo - SP, pertinho da estação de metrô Faria Lima
Para quem? Curte uma comida sofisticada
Quando? 09/12 (domingo), das 12h às 20h
Quanto? Pratos variam entre R$ 5 a R$ 15.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Mercado Ver-o-Peso, em Belém, é pai d´égua!



Belém não é logo ali para quem mora em São Paulo. Há pouca oferta de produtos, pouco conhecimento dos ingredientes e pratos, além das quase quatro horas de voo para lá. Mesmo assim, é um tesouro bem guardado que deve ser explorado.

O principal ponto de partida é o mercado Ver-o-Peso, com alguns séculos de história e localizado frente ao rio Guajará. Lá, funciona um mercado de frutas, de castanhas, de peixes frescos e secos, artesanato e uma “praça de alimentação”, onde pequenos balcões oferecem seus pratos e quatro ou cinco pessoas podem comer sentados.




Camarão seco
O calor lá é realmente forte, por isso recomenda-se já ir provando os sucos locais: bacuri, taperebá (ou cajá), araçá, muruci, uxi e por ai vai. Beba sempre pois é fácil desidratar-se. Circule e não tenha medo de levar pirarucu e camarões secos, castanhas do Pará a granel, as frutas da pupunha, o abricó, as onipresentes mangas em suas infinitas variações, as poções e elixires de cores e ingredientes variados, o artesanato indígena, os bombons recheados de frutas locais, a R$1 cada.

Pirarucu salgado a R$36 o quilo
Entre os peixes frescos, conheça o pirarucu, gigante amazônico e comparável ao bacalhau na maneira de salgar (foto); o filhote, que apesar do nome, pode ter alguns metros e pesar bastante; e todos os peixes de rio, de vários tamanhos e aspectos à venda. Veja o açaí chegando e manchando o chão de violeta-negro e assim, com o apetite aberto, vá comer.

À primeira vista, não parece ser o melhor lugar para uma refeição: muito calor, desordem, quase não há cardápios ou lista de pratos à mostra e tampouco muita higiene. Sim, não é tão bonito quanto gostoso. E claro, sempre prefira onde você pode ver o que é servido, ter informação do preço e a regra número um, ver sempre onde tem mais movimento. Para surpresa de muitos dos meus conhecidos locais, comemos sim no mercado.

Decidimos fazer duas paradas: a primeira, para provar pirarucu frito com açaí. O filé de pirarucu é frito à milanesa e servido acompanhado de uma cuia de açaí gelado. Aqui mais abaixo no Brasil, costumamos ser servidos de uma mistura de açaí com xarope de guaraná e sabe-se mais lá o que. Lá o açaí é servido só, puro e acompanha tudo à qualquer hora do dia. O sabor é mais forte mas não deixa de ser delicioso. Então, a mistura de peixe frito, açaí e a farinha de tapioca torna-se mais interessante e exótica.

Pirarucu frito acompanhado de açaí com tapioca

Para a segunda parada, escolhemos o balcão da Carioca, duas senhoras que cozinham especialidades locais. Preferimos pato no tucupi (fotos abaixo), servido com bastante jambu (claro, pedimos quanto jambu tanto fosse possível). Naquele calor não parece ser a melhor pedida, e não poderia ter sido melhor: muito saboroso, sendo servido coxa, ante coxa e pescoço do pato, acompanhado de arroz branco um bom papo com as senhoras. Acompanhou um guaraná Garoto, produzido no Pará. Não é lá aquelas coisas, somente pela curiosidade.

Como tivemos a oportunidade de visitar o mercado uma só manhã, ainda ficaram por provar muitos outros pratos. Apesar de falarem muito sobre a segurança do local, tudo pareceu seguro, mesmo assim não chegue desprevenido com seus pertences. O mercado fica a pouca distância da Igreja da Sé, do Mangal das Garças e da Estação das Docas, pontos de interesse em Belém. Esperamos voltar muito em breve!

sábado, 24 de novembro de 2012

Belém do Pará e o seu Festival da Tartaruga



Belém do Pará é um dos principais destinos gastronômicos do País, infelizmente pouco explorado pela maioria dos brasileiros. Belém é a terra do tucupi, do jambu, do tacacá, das castanhas, do açaí e de um templo culinário — o mercado Ver-o-Peso, já com mais de três séculos de história.

Após provar ingredientes, pratos e frutas locais, tivemos a sorte de estar em Belém quando foi oferecido pelo restaurante Divina Comida, no bairro de Nazaré, o único fim de semana do festival anual de carne de tartaruga. É importante ressaltar que são tartarugas criadas para este fim, com supervisão veterinária e do IBAMA. Nenhuma delas cresceria para ser ninja ou garota-propaganda do projeto TAMAR, mas sim para proporcionar este post e abrir o apetite dos leitores.

O restaurante já estava cheio antes do meio-dia, e conforme o que foi comentado pela gente de Belém, a carne de tartaruga é bastante apreciada. Havia dois buffets, o de tartaruga e o comum dos finais de semana, sendo o primeiro a R$ 150 por quilo e o segundo a um quinto desse preço.

Em sentido horário, de cima: tartaruga no leite de castanha,
 farofa de tartaruga, tartaruga com jambu, e vísceras de tartaruga.
Provadas todas as opções, que incluiam farofa de tartaruga (servida no próprio casco), risoto de tartaruga, sarapatel de tartaruga, carne de tartaruga no leite de castanha, tartaruga no tucupi, picadinho de tartaruga, e um cozido de vísceras que o nome realmente não lembramos (pacuxá talvez), a conclusão é que a carne é saborosa, suave e de ótimo aspecto.

O sarapatel, feito no sangue da tartaruga, o prato com leite de castanha e as vísceras foram os que mais agradaram: o primeiro porque é uma variação de um prato bem brasileiro com um ingrediente exótico; o segundo, pelos suculentos pedaços de carne branca envoltos em pequenos ossos e regados de leite de castanha; e o último pelo sabor forte e carregado de ferro. O tucupi também agradou bastante, mas por causa do jambu que sempre adiciona o prato.

Usaram-se praticamente inteiras todas as 15 tartarugas que o restaurante conseguiu comprar este ano, já que apenas um fornecedor atendeu todas as avaliações veterinárias e do IBAMA. O preço elevado e a consciência ecológica pode até afastar alguns, mas a oportunidade de provar esta iguaria tão rara hoje deve ser aproveitada por aqueles que gostam do exótico e não tem medo de novos sabores. Ano que vem deve ter mais! 

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Feira Escandinava 2012, em São Paulo


Realizada há mais de quatro décadas na capital paulista, a Feira Escandinava, organizada pela Associação Beneficente Escandinava Nordlyset é uma excelente oportunidade para adquirir produtos daqueles países, com destaque para o caviar e o arenque.

O dinheiro obtido com a venda dos produtos é revertido para apoiar projetos sociais brasileiros que envolvem crianças e adolescentes. O chef de cozinha Miguel Gelman Bushatsky conhece e recomenda a feira: “Eu vou todos os anos com a minha avó, comprar gravlax, vale muito a pena, porque dá para encontrar muitos produtos que nunca vemos por aqui”.

Serviço

Onde? Esporte Clube Pinheiros, rua Tucumã, 135, próximo à Faria Lima.
Para quem? Curiosos
Quando?  Dia 07/11: das 12h às 22h e dia 08/11 das 10h às 20h
Quanto? A entrada é 0800! 

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Bom Retiro: Médio e Extremo Oriente no centro de São Paulo


Por Luiz Fernando Chimanovitch

Nasci e cresci no Bom Retiro, em São Paulo. Um bairro que se renova a cada geração de imigrantes, trazendo as cores e principalmente os sabores dos que chegam, mantendo também as características do que ficam e até daqueles que já se foram.

Para quem quer fazer compras, o Bom Retiro tem na Rua José Paulino um dos maiores centros comerciais do Brasil, recebendo gente de todos os cantos do País. Com isso, eu acabo me perguntando se as pessoas que visitam esse bairro percebem que, uma ou duas quadras daquele monte de lojas tem-se a oportunidade de provar sabores tão diferentes e distantes quanto um beigale judaico ou kimchi coreano.

O meu Bom Retiro, dos anos 80, é o bairro de presença predominantemente judaica. Lembro-me de encontrar algumas vezes o ator Elias Gleizer, sempre em algum papel de padre em novelas das seis, na rua Guarani. A mesma rua do seu José, cujo comércio também é conhecido por Casa Menorá. Lá, você pode provar delícias judaicas europeias, como o bolo de ricota, as chaloth (pão trançado), beigales, o pão de cebola que merece um recheio de pastrame de peito de boi, picles e mostarda (em dois tamanhos, o maior saindo R$ 8, e que podem ser consumidos no local). Além disso, doces, laticínios, temperos, vinhos de Israel e que seguem os preceitos judaicos de kosher são, há décadas, comprados pela comunidade judaica paulista.

Tchoulent, a "feijoada" judaica
Para aqueles que não querem somente petiscar, na rua Correia de Melo, o Adi Shoshi Delishop, que existe desde 1991, é comandado pela família israelense Baruch e traz no cardápio delícias da culinária judaica europeia (ashkenazi) e israelense. Na minha última visita, um sábado pela manhã, o público variava entre judeus mais velhos do bairro e jovens estudantes da região. Provei e aprovei o delicioso fígado batido com ovo e cebola, que veio em quantidade exata para três pessoas. Como prato principal, pedimos um tchoulent (lê-se chulent), ou um grande cozido com vários e diferentes grãos, tripa recheada (kishke), molho e pedaços de peito bovino. É o prato tradicional do sábado em Israel e como a feijoada, cada um tem a versão que mais gosta.

O novo Bom Retiro é o dos coreanos, o que se torna evidente depois de caminhar alguns minutos ou observar os letreiros das lojas. Devagar vai-se conhecendo um pouco da mesa e dos sabores da comunidade. Por isso, recomendo que passe um tempo entre as geladeiras e gôndolas dos mercados nas ruas Três Rios e Prates. O meu favorito é o O&G na Três Rios, 245. Lá, você encontra, entre saladas prontas, pães, frutas e peixes, produtos interessantes como vinagre de caqui, chá de citron, sopa de abóbora com mel para microondas, garrafas de soju (fermentado destilado alcoólico coreano), a bebida mais vendida na Coreia, e o sempre presente kimchi, fermentado de acelga e acompanhamento para todas as refeições coreanas.


Voltando à refeição no Bom Retiro, a sobremesa fica para as novas e excelentes padarias coreanas na Rua Prates, 547. O bom café vem acompanhado de pão de feijão azuki doce, o rocambole de chá verde, e o pão de café recheado de requeijão. A casa ainda oferece diferentes salgados, pães de sabores (prove o de espinafre) e sorvetes coreanos.

Visite o bairro aos fins de semana, é fácil de chegar de metrô (Tiradentes – linha azul) ou de ônibus. Deixe-se levar pelas ruas, seja curioso e chegue com apetite.


quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Svanen: último reduto da culinária escandinava em São Paulo


São Paulo é reconhecidamente terra de imigrantes de várias partes do Brasil e do mundo. Muitas das comunidades estrangeiras continuam marcando sua presença na cidade ainda hoje, enquanto algumas já misturaram-se tanto que é difícil identificar algum membro ou traço cultural.

Por isso, é bom saber que num cantinho de Moema encontramos o Svanen (cisne, em dinamarquês), parte do esforço do Clube Escandinavo para manter a tradição desses países europeus em terras paulistanas. O smörgåsbord sueco, uma grande buffet de peixes defumados, saladas e pratos quentes, é preparado pelas mãos de Vera Jacobsen, que já comandou outros restaurantes escandinavos.

Visitamos o restaurante numa sexta-feira à noite, de pouco movimento, motivo pelo qual não é necessário reservar com antecedência. Recebidos e saudados por Vera e seu marido que jantavam, logo nos apresentaram as opções do smörgåsbord naquela noite: diferentes tipos de arenque, recomendamos a versão com curry e acebolada; os salmões defumados, inclusive o tradicional gravlax preparado rigorosamente à moda sueca (já tentamos fazer em casa e até que deu certo), os pães suecos, frikadeller (bolinho de carne moída de vitela), saladas de beterraba, maionese, patê de fígado e a panceta de porco. Sirva-se várias vezes, levando ao prato sempre um sabor diferente.


Passamos para as opções quentes, recomendamos o kassler com o repolho roxo cozido – mais alemão que sueco– legumes no vapor e o hakkeboef, uma grande almôndega, geralmente servida com batatas e salada de pepino. 

O buffet também inclui sobremesa, assim que terminamos a noite com torta de maçã dinamarquesa e chantilly, e frutas da época (foto). Para acompanhar, somente água mineral, apesar da variedade de bebidas alcoolicas, sucos e refrigerantes.


No geral, o valor de R$ 59,90 por pessoa vale pela oportunidade de conhecer uma cozinha estrangeira diferente e pouco acessível aqui no Brasil. Para nós, valeu pela variedade de peixes e apresentações desses pratos.

A rua é escura e pouco movimentada e a falta de clientes em uma 6ª feira à noite realmente nos fez pensar alguns segundos antes de entrarmos. Mas ainda assim, é mais perto que Estocolmo.

Serviço

O quê? Svanen
Onde? Rua Moraes de Barros, 1009 - Campo Belo, São Paulo
Para quem? Para ir com fome e com vontade de provar diferentes pratos, com amigos ou acompanhado do seu loved one
Quando? Segunda a Sexta: almoço executivo das 12h às 15h
Sexta e Sábado: jantar 19h30 a meia noite. Domingo, almoço: 12h às 16h
Aceita reservas. Ligue para 11 5041-9883
E-mail: 
restaurante.svanen@terra.com.br